DESPORTO

Qual é o preço do fanatismo?!

Antes de mais, vou tentar descrever um pouco sobre o termo:
Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo,  irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.

Em Psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características:

    1. Agressividade;
    2. Preconceitos vários;
    3. Estreiteza mental;
    4. Extrema credulidade quanto ao próprio sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários;
    5. Ódio;
    6. Sistema subjetivo de valores;
    7. Intenso individualismo.

O apego e cultivo, mesmo quando desmesurado, por determinados gostos e práticas (como costuma ocorrer com colecionadores de selos, revistas, etc) não configura, necessariamente, fanatismo. Para tanto, faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções.

De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista.

Tradicionalmente, o fanatismo aparece associado a temas de natureza religiosa ou política, porém, mais recentemente, ele se tem mostrado também em outros cenários, como os das claques de futebol
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Agora que foi feita uma definição sobre o termo "fanatismo", vou vos contar como eu era tão fanático, que depois de o acontecido, decidi-me em viver mais com a cabeça do que com o coração, no bom termo da palavra.

A historia é no mínimo curiosa! Estávamos nos primórdios dos anos 90, e eu, como qualquer adolescente, nessa época, era um autentico "devorador" do futebol! Aliás cresci a ouvir a rádio, e não "rendia à Deus Santas Graças", para que chegasse aos fins de semana, para poder ouvir desporto, na rádio, sintonizando a "onda curta", com aqueles rádios antigos que eram do meu pai, também grande entusiástica do futebol. Se bem que nessa altura, poucas pessoas davam o luxo de ter uma TV (televisão) à preto e branco! Era coisa de ricos....!
Mas como dizia,gostava imenso de ouvir desporto pela rádio, aos fins de semana, através da Onda Curta (Onda Curta, é uma onda que opera na gama de frequência dos 3000kHz a 30.000 kHz (3-30 MHz). Em Rádio, a onda curta corresponde a alta frequência obtida pela relação inversa entre a a frequência e o comprimento da onda, é por isso denominada "ondas curtas" , porque os seus comprimentos de onda são mais curtos do que os da onda longa, o comprimentos utilizado no início das comunicações de rádio. HF (Alta Frequência) é um nome alternativo para onda curta de rádio), para poder seguir atentamente o desenrolar das partidas de futebol.

Mas a história mais marcante da minha vida, enquanto fanático de futebol, remonta a época de 1993/94. Eu como adepto do Benfica, era assíduo estar nas tardes de Domingo a ouvir a rádio, até com uma hora de antecedência, a fim de acompanhar a par e passo, todos os desenvolvimentos da partida.  Lembro-me que os jogos aconteciam quase sempre aos Domingos à tarde. Nesse momento, era mesmo sagrado. Só interessava ouvir o desporto e nada mais. Os deveres da casa tinham que ser feitos antes ou depois de ouvir o relato dos jogos.

Como disse, a época de 1993/94 foi deveras a época que me marcou muito em relação ao fanatismo pelo Benfica, não só pelo campeonato em si, mas também, em relação as competições europeias, que na altura era a "Taça das Taças".

Lembro-me de estar a ouvir a rádio, numa tardina (à tarde), o relato (narração) do jogo entre o Parma AC - Benfica, que contava para mão das "Taça das Taças", isto após o Benfica ter ganho na Luz por 2-1 (Marcadores: Isaías, Rui Costa; Zola). Até aos 76mn de jogo, o Benfica estava em vantagem na eliminatória, apesar de o jogo estar empatado 0-0, mas ao minuto 77, houve um pontapé de canto à favor do Parma, e foi golo (). O Parma passou para frente da eliminatória e até ao final do jogo, foi um sofrer a bom sofre, na esperança de que Rui Costa, Isaías e companhia se pudessem pelo menos empatar a partida, e sim seguir em frente, rumo a final. Mas não, não conseguiram marcar. Para o desespero, essa tarde ficou na minha memória, e até hoje, recordo toda aquela amargura que vivi naquela tarde/noite, antes, durante e depois do jogo!
Mal queria acreditar. Depois de brilhantes exibições, feitas, ante o Bayern Leverkusen (Alemanha), tendo empatado 1 - 1, na Luz, rubricou uma excelente exibição, ao empatar 4 - 4, na 2ª mão dos quartos-final da Taça das Taças, que depois viria a cair aos pés dos transalpinos, nas meias-finais.

Nesta época, o Benfica revelou-se um autêntico campeão, já que, para o campeonato,  isto porque a quatro jornadas do fim, o Sporting estava a um ponto do Benfica, jogava bem, marcava golos, era uma máquina... ao contrário do Benfica que jogava mal, vencia jogos sabe-se lá Deus como e mais uma data de coisas, e para felicidade dos sportinguistas o Rui Costa não jogava de início. Vitória fácil pensavam eles. Enganaram-se! Logo no começo da partida, os verdes e brancos entraram de rompante, e aos 8mn já venciam por 1 - 0, em Alvalade, golo apontado por Luís Figo.


A seguir deixo o desempenho do Benfica nessa época!

Campeonato da 1ª Divisão: CAMPEÃO
Taça de Portugal: Eliminado nos oitavos-final pelo Belenenses (Vencedor: FC Porto)
Supertaça "Cândido Oliveira": Finalista (Vencedor: FC Porto)
Taça das Taças: Eliminado nas meias-finais pelo Parma (Vencedor: Arsenal)
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